26 de jul de 2010

Hiperplasia Gengival Idiopática

As fibromatoses gengivais são lesões de caráter benigno que se caracterizam por uma hiperplasia (crescimento), com lesões de coloração parda e avermelhada, que se localizam na gengiva, circundando as coroas dos dentes tanto anteriores como posteriores. Esta patologia causa aos pacientes traumatimos, dificultando a mastigação, a higienização e propiciando o acúmulo de placa e a gengivite com sangramento.

A causa das fibromatoses ainda não está esclarecida, mas provavelmente é de caráter multifatorial, estando relacionada à perda prematura de dentes e à gengivite. Geralmente está associada à má higiene bucal, presença local de bactérias capazes de causar inflamação e servir de reserva de toxinas, periodontite e profundidade das bolsas periodontais. Pode existir uma correlação entre um componente hereditário e o aparecimento da doença.


O acúmulo de placa é essencial para o início da hiperplasia gengival, dessa forma, o controle dos fatores bucais locais, bem como os cuidados com a higiene oral, são condições fundamentais tanto na prevenção quanto na recidiva dessa doença.


O prognóstico das fibromatoses gengivais é bom, desde que o tratamento cirúrgico seja feito seguindo as técnicas periodontais de gengivectomia e gengivoplastia, com ampla margem de segurança, uma vez que a permanência de tecido alterado fatalmente resulta em recidiva.


Para a realização do diagnóstico da hiperplasia gengival idiopática é fundamental que se procure um cirurgião-dentista especialista em periodontia, visando, com isso, a indicação do tratamento mais adequado.


André Temperini Campelo

Periodontista - CRORJ 33758




19 de jul de 2010

Ortodontia e DTM - Parte 2

Hoje a postagem não seria sobre ortodontia, mas devido à algumas dúvidas que surgiram durante a semana, resolvi complementar a postagem da semana passada. A mais relevante, que me levou a escrever mais um pouquinho hoje, foi a seguinte pergunta: "Se a ortodontia não resolve os problemas de DTM, por que os pacientes ficam aliviados da dor assim que colocam o aparelho ortodôntico?".

Realmente isto acontece, tanto na ortodontia convencional quanto na ortodontia lingual.

Quando começamos a movimentar os dentes ortodonticamente eles ficam doloridos, principalmente quando encostamos neles, como na mastigação. Desta forma, com os dentes muito sensíveis ao toque, qualquer tipo de apertamento e rangido desaparecem como mágica. Mas não há mágica alguma, simplesmente o hábito aumenta a dor de tal forma que nosso organismo o interrompe imediatamente.

A hora da verdade é a hora da remoção do aparelho ortodôntico. Da mesma forma rápida que o hábito desapareceu ele volta e ocorre uma grande frustração por parte do paciente, que culpa o ortodontista por falhas no tratamento.

Mais complicado ainda é realizar tratamento ortodôntico em pacientes que já usam placas para bruxismo e não têm mais os sintomas dolorosos. A remoção da placa trás o hábito de volta e o uso do aparelho pode ser intolerável nestes casos.

Assim, devemos esclarecer os pacientes antes do início do tratamento quanto às suas espectativas em relação à solução da DTM ortodônticamente, evitando criar este tipo de frustração. Lembrem-se: o paciente com DTM normalmente sofre muito com a dor miofascial e busca uma solução há algum tempo (provavelmente já passou por médicos e dentistas), podendo ter colocado todas as suas esperanças em curá-la através do tratamento ortodôntico.

Raquel Moreira Guimarães
Ortodontista - CRORJ 27986

http://www.oralodontologia.com.br/

12 de jul de 2010

Ortodontia e DTM

Muitos pacientes chegam ao consultório ortodôntico com queixa de dor na ATM (articulação temporomandibular) depois de terem passado por vários médicos e dentistas com suspeita de otite, nevralgia do trigêmeo e uma série de problemas que podem ser relacionados à esta região. Como explicar para eles que o tratamento ortodôntico pouco ou nada pode fazer para aliviá-las deste desconforto?

Há uns dias, relendo sobre o assunto, resolvi usar as palavras do autor William R. Proffit para postar um texto sobre ele, dando um maior embasamento ao que pretendo explicar. Ficou um pouco longo, mas a leitura é bem interessante e esclarecedora:

"A relação da má oclusão e da função adaptativa com a Disfunção da Articulação Temporomandibular (DTM), manifestada como dor dentro e ao redor da ATM é mais compreendida agora. A dor pode resultar de mudanças patológicas na ATM , mas é causada mais frequentemente por fadiga e espasmo muscular. A dor muscular quase sempre está relacionada com uma história de apertamento ou ranger dos dentes como resposta à situações estressantes ou com a postura constante da mandíbula em uma posição mais anterior ou lateral.

Alguns dentistas sugeriram que até mesmo pequenas imperfeições na oclusão servem para iniciar atividades de apertamento e de rangido. Se isto fosse verdade, indicaria uma necessidade real de aperfeiçoar a oclusão em todas as pessoas para evitar a possibilidade de aparecimento de dor na musculatura facial. Como o número das pessoas com más oclusões pelo menos moderadas excedem em muito aquelas com DTM, não parece provável que os padrões oclusais por si só sejam suficientes para causar a hiperatividade da musculatura oral. Uma reação ao estresse geralmente está envolvida. Além disso, a maioria das pessoas com má oclusão não têm problemas com dor muscular quando estressadas, mas desenvolvem sintomas em outros sistemas orgânicos. Raramente um indivíduo tem colite ulcerativa (relacionada ao estresse) e DTM associadas. Alguns tipos de má oclusão (especificamente a mordida cruzada posterior com deslocamento no fechamento) estão positivamente relacionados com problemas na ATM, mas têm uma relação muito fraca. Isso significa que para a maioria das pessoas não existe associação entre a má oclusão e a DTM.

Somente se um paciente responde ao estresse aumentando a atividade muscular oral, com dor, a má oclusão pode colaborar para tornar o problema mais grave. Portanto, o tratamento ortodôntico pode auxiliar os outros tratamentos para dor muscular, mas a ortodontia como tratamento primário quase nunca é indicada."

Raquel Moreira Guimarães
Ortodontista - CRORJ 27986

http://www.oralodontologia.com.br/

5 de jul de 2010

Pino de Fibra de Vidro


A odontologia atual vive uma fase na qual o desejo de um sorriso mais belo leva inúmeras pessoas aos consultórios odontológicos em busca de alternativas estéticas que atendam aos seus anseios.


Com o objetivo de atender a essa grande demanda, os fabricantes de materiais odontológicos investem cada vez mais no desenvolvimento de produtos relacionados a estética. Os pinos de vibra de vidro representam hoje o futuro no campo de reconstrução de dentes com tratamento endodôntico (tratamento de canal).


Quando a perda de tecido coronário é grande e não existe a possibilidade de restaurá-lo com materiais restauradores diretos (resinas), a reconstituição é feita através de uma coroa protética. Mas antes cimentamos um pino intracanal para dar maior estabilidade e resistência à coroa.


O pino intracanal mais utilizado é o metálico, que infelizmente dá um aspecto final "acinzentado" à coroa que o recobrirá depois, como uma sombra. Funciona como um fundo opaco, mas escuro, negro. Além disso, a margem gengival também pode ficar com um contorno escurecido, aparecendo muito no sorriso e prejudicando a estética.


Uma solução, quando ainda resta alguma parede da coroa dentária, é o pino de fibra de vidro. Ele está sendo cada vez mais preferido devido à translucidez e união adesiva ao cimento resinoso, fazendo com que diminua o risco de fraturas radiculares. Pode ser transparente ou opaco, mas é claro, não atrapalhando o resultado final.


Outra vantagem é a agilidade clínica, pois é confeccionado e inserido em uma só consulta, não havendo fase laboratorial. Em outras palaras, não é necessário modelar o canal radicular e enviar para o protético fundir a peça, como acontece com o pino metálico.


Assim, fica muito mais fácil reconstituir a cor original dos dentes, mantendo um sorriso bonito e natural. Afinal, a prótese total ou unitária (coroa) ideal é aquela que não elogiamos... pois não conseguimos nem percebê-la!
Dra. Paula Alves Tepedino
Especialista em Estética
CRORJ 30715